Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Por um copo de água
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Asia Bibi – para quem ainda não tenha ouvido falar – é uma mulher católica, casada e com filhos que, em 2009, cometeu no Paquistão “a impensável blasfémia” de beber água por um copo pertencente a uma mulher muçulmana! (Sim, é verdade, esse foi o seu “crime”!). Chegou a ser condenada à morte por esse “crime” – seria, no caso de a pena ser executada, a primeira mulher morta no Paquistão por causa do crime de blasfémia.

Depois de longas batalhas jurídicas, e de pressões, mesmo no plano internacional, por parte de várias organizações e mesmo governos, Asia Bibi foi finalmente considerada inocente pelo Supremo Tribunal do Paquistão. Foi ilibada de todas as acusações de blasfémia que há vários anos lhe tinham sido imputadas. E, no entanto, ainda não saiu da prisão, nem pode sequer sair do país: é uma questão de segurança, dizem.

É verdade que, sem qualquer defesa, ficaria à mercê dos fanáticos que a acusaram e que não desistiram ainda de a matar – e que, inclusivamente, ameaçaram de morte os juízes que a declararam inocente. Aliás, os juízes do Supremo Tribunal estão a ser pressionados para rever a sentença que deram. E, no passado Sábado, o seu advogado Saiful Mulook viu-se forçado a abandonar o Paquistão para salvar a sua vida e por temer também pela segurança da sua família.

Mas tudo isto significa que Asia Bibi e a sua família necessitam agora de um país que os acolha, e nessa direcção se pronunciou também o seu advogado, apelando ao Reino Unido ou ao Canadá para acolherem a família.

Há dias o Dr. José Ribeiro e Castro, em declarações à Fundação AIS - Ajuda à Igreja que Sofre, afirmou que o governo português poderia tomar a iniciativa de oferecer o nosso país para acolher aquela família, como tem feito com tantos outros imigrantes desconhecidos.

Creio, na verdade, que seria um bom sinal, da parte dos nossos governantes. Um sinal de claro apoio à liberdade religiosa e de consideração de um claro caso humanitário que apenas tornaria mais evidente, mesmo a nível internacional, de que lado se encontram os portugueses e o seu governo.

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