Esta não é uma realidade desconhecida pela ONU. Em Março, o portal de notícias das Nações Unidas falava no “uso persistente da violência sexual como táctica de guerra”, e do “sofrimento indescritível” que provoca às mulheres e meninas congolesas. E é referido ainda que desde Outubro do ano passado houve mesmo “uma escalada de casos contra crianças”. Também o Vaticano já denunciou o que se passa na região leste da República Democrática do Congo. O Vatican News denunciava, no final de Março, “violações durante os ataques a aldeias, estupros colectivos, por vezes públicos, actos de violência cometidos na presença de familiares, sequestros nas estradas ou nos campos, cativeiro e escravidão sexual, invasões nocturnas de residências, abusos durante a detenção”. Tudo isto está num artigo intitulado precisamente “o estupro como arma de guerra”. Um artigo em que se escreve que “a lista de horrores” não pára de crescer e em que são referidas concretamente as províncias de Kivu do Sul e do Norte e de Ituri, como estando no epicentro dos confrontos entre o exército congolês e os grupos paramilitares. Grupos, na sua maioria, ligados ao movimento armado M23. É só por ser rica que esta região está a saque por estas milícias, tantas vezes às ordens de outros países, como o Ruanda, numa disputa despudorada pelo que se esconde ali no subsolo. As mulheres e as raparigas são apenas uma espécie de troféu destes criminosos que por ali usam também muitas vezes a bandeira do Islão radical. “Continuemos a rezar por estas mulheres, tantas vezes perseguidas, sofredoras, mas que continuam a acreditar num valor fundamental, que é o valor da vida humana”, diz o Padre Marcelo Oliveira a concluir a mensagem enviada para Lisboa, para a Fundação AIS.
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